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Wime Bráulio

Wime Bráulio

"Mirando por um Teatro de intervençáo social."

Aniversário: 31 de Julho
Estado civil: Solteiro
Nacionalidade: Angolano
E-mail: caçadeira_007@hotmail.com

Quando é que começou a fazer teatro?
Comecei a fazer teatro em 1997, no grupo Miragens Teatro.

Como é que entrou no teatro?
Antes de entrar pra o teatro já gostava de declamar poesias na escola, na altura estudava na escola das Madres 508, e quando houvesse actividades culturais desempenhava sempre o papel de declamador de poesia, neste altura vivia eu no bairro Popular na rua Machado Saldanha. Quando mudo de residência, neste caso para o bairro Netito Soares (complexo do IGCA), onde o grupo Miragens Teatro ensaia até hoje, foi quando tudo mudou. O grupo já existia a 3 anos, eu gostava de assistir aos ensaios, até que um dia o meu director, Walter Cristóvão, convidou-me para participar de uma peça infantil, que não tinha nada haver com o grupo, era uma selecção de actores mirim, e montou uma peça sobre o dia mundial da criança, a estreia desta peça foi no Centro Cultural Português em que eu fazia personagem de amigo de joãozinho (personagem principal), daí, Walter conheceu minha irmã e…. Convidou-me para entrar no grupo (ah, ah, ah) então eu digo que entrei para o teatro por influência da minha irmã (eu acho que depois destas revelações vão expulsar-me), e pronto até aqui estou.

Porque escolheu o teatro?
Eu digo que o Teatro escolheu-me, e a primeira vista apaixonei-me por esta bela arte, que é a mãe de todas as artes, eu durmo com o teatro, acordo com o teatro, vivo pelo teatro, “o teatro é um droga boa”.

Qual foi a primeira peça em que participou?
A primeira peça em que participei no grupo foi “ Sida por Encomenda”, no dia da estreia desta peça eu estava muito inquieto porque a peça seria representada no Teatro Avenida, e eu era muito pequeno e via o Teatro Avenida muito grande, o coração bateu forte quando fizeram a apresentação da peça e anunciaram a presença de dois novos actores, porque quando fui convidado, Walter convidou também um vizinho meu que também se chama “Braulio”, que infelizmente já não faz teatro, mas torço para que ele faça o melhor pra sua vida, porque eu encontrei o que queria “TEATRO”.

Qual é a primeira personagem que interpretou?
A primeira personagem no teatro foi de um grande amigo de joãozinho numa peça infantil exibida no Centro Cultural Português. No Miragens o primeiro personagem foi de um rapaz que dá força a um jovem que quase se envolvia com uma jovem sem preservativo na peça sida por encomenda, que agora é ‘Stop sida’.

Como foi que os teus pais reagiram ao lhe verem neste mundo?
Antes de começar a fazer teatro, meu pai meteu-me numa equipa de futebol, tinha de acordar sempre as seis da manhã pra treinar, mas ainda conseguia assistir teatro a noite, ano seguinte mudou o período das aulas e comecei a estudar de manhã e tinha de treinar no período da tarde e saía depois das 18h e o ensaio começava as 18h, eu fugia dos treinos para assistir o teatro, depois dos treinos tínhamos que comer papá de soja, acho que era para fortificar os músculos, coisa assim…eu vi que aquilo não era pra mim, sempre a correr, lembro-me uma vez que em campo disse pra mim mesmo tenho de surpreender o treinador pra ver se ele me seleccionasse sempre, pego na bola saio da defesa até a área do adversário e quando cheguei na área do guarda-redes sentei ao pé da bola, porque já não tinha ar pra correr nem força pra rematar a bola, sei que depois o professor Gonçalves que é o pai do nosso querido jogador Manucho do Manchester united da Inglaterra, chamou-me e disse-me umas coisas que já nem ouvi, e dia seguinte os colegas disseram-me que ele tivera dito o seguinte: “ é assim mesmo correr sempre”, dentro de mim eu disse “ sim…correr sempre… mas até quando”. Preferia faltar nos treinos para assistir o teatro, até que desisti. O meu pai ficou fulo, muito chateado mesmo, a minha mãe como sempre apoiou-me e deu-me muita força (te amo mamusca), mas agora meu pai está consciencializado de que é isto que quero, que gosto, que injectei nas veias, então ele aceita, mas quando algum jogador angolano ou outro qualquer vai para um determinado clube europeu e assina um contrato de milhões de dólares ele ainda diz “ olha os teus milhões”.

Quais as principais barreiras com que se deparou ao longo da carreira?
Quando comecei era tudo muito fácil porque era pequeno e não tinha muitas responsabilidades, conseguia conciliar normalmente o teatro e escola e ainda consegui sair no quadro de honra da minha escola, no colégio IMTG, onde frequentei o médio todo de contabilidade e finanças. Dificuldades tenho tido até agora na faculdade onde estudo na UCAN (Universidade Católica de Angola), porque muitas vezes temos viagens para o exterior normalmente para representar o país e enquanto vou representar, perco aulas, provas, o que de certa forma prejudica, mas felizmente tenho colegas excelentes que dão sempre força explicando as matérias e também assistem as minhas peças e o meu programa, só tenho a agradecer, e daí aprendi que não crescemos sozinhos tem sempre alguém com a atenção em nós (Obrigado) eles sabem quem são “Olha o contacto”. Em 2006 sofri um acidente no teatro quando representávamos a peça “ Rostos de Loanda á Luanda”, este acidente pra mim tem sequelas até hoje, foi muito duro porque eu não entendia porque foi acontecer logo comigo mas aconteceu, até hoje eu carrego a marca do teatro, fiquei quase dois meses sem subir em palco, fiquei traumatizado mas encontrei pela segunda vez o teatro como refúgio.

Qual foi o momento mais alto da tua carreira?
O momento mais alto da minha carreira foi quando descobri que eu gostava de fazer teatro, descobri isso muito tarde, e quando descobri foi uma emoção que vocês nem queiram saber, eu só falava de teatro, na escola, na rua, com amigos, namoradas? Não namorada. Era uma satisfação como quando um actor descobre que esta emocionalmente dentro de um personagem. Mas também tive momentos altos como quando ganhamos o Prémio Nacional de Teatro, os Prémios Cidade de Luanda, como quando fomos ao Festival Internacional de Teatro de Mindelact, e quando depois de vários testes na Televisão Pública de Angola para o personagem de Kizua eu consegui vencer o teste no meio de muitos actores bons de palco. Os meus momentos altos com certeza alguns serão também os de outros colegas meus, porque tivemos muitas conquistas juntos, porque crescemos juntos principalmente eu que sempre fui pra todos o cassula, mesmo já crescido.

Quais as personagens que já interpretou?
Já interpretei vários personagens como “ Nandinho” na peça Infância Marcada que foi interpretado por “Chetas”; “ Laurindo” na peça Amor Puro; “Salvador Correia de Sá” na peça Rostos de Loanda á Luanda; “Velho Caculo” na peça Tradições Perigosas, e tantos outros personagens que não são poucos.

O que aprendeu com estas personagens?
Aprendi muito, sempre aprendemos com os nossos personagens, porque as nossas peças tem um carácter interventivo e histórico, na criação de um personagem desde ao animal á extraterrestre faço sempre uma profunda investigação sobre este personagem, para estar mais seguro do que estou a fazer.

Qual foi a personagem que mais a marcou e porque?
Por incrível que pareça foi um personagem sem muito destaque nesta peça (Silencio das Armas) em que eu fiz o personagem de “Fedy”, irmão de Toy, um jovem desmobilizado de guerra, que voltou da guerra. O encontro dele com Fedy, pra mim marcou muito, muitas vezes chorei de verdade porque é muito envolvente como se ele tivesse vindo mesmo de uma guerra, portanto marcou-me muito.

Qual é o momento mais complexo: Leitura do texto/Encarnação da personagem/Representação ao publico. Porque?
Encarnação da personagem é um pouquinho mais complexo, exige do actor muita criatividade nas diversas esferas de personagens que se é atribuído, independentemente do género da peça.

Já alguma vez pensou em desistir do teatro? Porque?
Já sim. Quando tive o acidente no teatro como já expliquei anteriormente, pensei seriamente em desistir, mas o teatro foi mais forte e venceu-me, vence sempre que penso, por isso já nem penso.

Como se caracteriza o ambiente no seio do teatro?
O ambiente no nosso grupo é de irmandade profissional, somos todos irmãos mas também somos todos profissionais, conseguimos, do nosso jeito, trabalhar neste ambiente que faz de nós uma família.

Já alguma vez pensou em trocar o Miragens por outro grupo? Porque?
Não. Como é que eu vou pensar em sair da minha casa? Miragens não é só um grupo, é uma família, é uma escola, é uma diversão, encontro muita coisa no meu grupo que não encontro nem nas baladas da noite “ amor”. Falando sério existem muitos actores que gostariam de estar no Miragens, porque? Porque é bom, nós fazemos o nosso movimento do nosso jeito.

Qual é o actor ou a actriz que mais a inspira no seio do Miragens? Porque?
Com certeza Quim Fasano e Mariana Lourenço. Quim é um excelente actor, já ajudou-me muito na construção de vários personagens e continua a ajudar, criativo, astuto e muito maduro, este também é um irmão que a minha mãe não conseguiu me dar (te admiro muito). Costumamos chamar a Yana de “ Mãe Yana”, esta é nossa mãe, cuida de nós e principalmente excelente actriz (sou seu fã).

Se tivesse que escrever uma peça para o Miragens qual seria a temática e porque?
Drama, mas propriamente desabamento do edifício da Dnic, mas como não sou escritor, felizmente o Walter já escreveu e superou aquilo que seriam as minhas expectativas, meus colegas para além de serem polivalentes, se caracterizam muito com o drama.

Já pensou em interpretar um monálogo? Porque?
Já sim, penso todos os dias nisso, porque sei que é um desafio pessoal, estar em palco só. Ainda tenho em pensamentos, mas com certeza algum dia poderão ver-me a interpretar um monólogo e quando assim o fizer, tenham certeza que é uma concretização pessoal.


Prémios e Festivais

  • 1998 - Grupo Revelação de Luanda;
  • 1999 - Prémio Cidade de Luanda com a peça: As faces de Luanda;
  • 2000 - Prémios Cidade de Luanda com a peça Rostos de Loanda e Luanda;
  • 2001 - Vencedor do Festival Provincial Apuramento ao Nacional
  • 2001 - Prémio Nacional de Teatro com a As faces de Luanda;
  • 2002 - Indicado ao Prémio Nacional de Cultura e Artes.
  • 2005 - Forçou a mudança do regulamento do Prémio DSTV-Peça Mais Popular, visto que já tinha ganho duas das seis edições instituídas pela Cultura;
  • 2006 - (Setembro) Participação do Festival Internacional de Mindelact em Cabo Verde.
  • 2007 - Segunda presença no Festival Internacional de Teatro de Mindelo e está entre os candidatos ao Prémio Nacional de Cultura e Artes, o maior galardão da cultura em Angola e o segundo maios prémio no País.
  • 2009 - Primeira presença no Festival Internacional de Teatro de Almada-Portugal com a peça Quatro e trinta.
  • 2009 - Terceira presença no Festival Internacional de Teatro de Mindelo onde arrecada o Prémio Copacabana.
  • 2009 - Vencedor do Prémio Nacional de Cultura e Artes.

Elenco

Fasano Cristina Fernandes
Isaldina Jeus Ruth
Walter Liliana Sizainga
Mariana Bráulio Pemba
Caizer Nancia Serafina


Wime Bráulio


Repertório

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Palavras do Director

MIRAGENS ENCANTADOR E ENCANTADO!

A dissertação do Miragens silenciou a plateia de profissionais da arte de representar e tornou a peça mais interessante, chegando mesmo a receber o convite de uma das mais conceituadas companhias de teatro de África. »»»
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QUADRO DE HONRA


Homenageado(a)




Para esta edição a honra vai para a actriz Izaldina Sequenha, do Colectivo Miragens Teatro, pelo seu desempenho no Grupo, a sua força, a sua 'raça' e responsabilidade na interpretação dos personagens.
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